Quando chega o aniversário dos pequenos, a expectativa também envolve os pais, que querem oferecer uma festa bem legal. Como organizar um evento de sucesso especialmente para eles?
Aniversário sempre é uma data emocionante na vida das pessoas. Um frio na barriga, surpresa, festa, crescer e mostrar mais dedinhos quando vem a pergunta - Quantos anos você tem? Um dia assim tão importante não pode passar em branco. Desde um pequeno bolo com amigos até uma grande festa.
Antes de escolher um buffet certifique-se do espaço (a capacidade para pessoas sentadas, limpeza, conservação dos brinquedos e , ao mesmo tempo, aconchegante), da higiene, se os salgados são fritos e assados na hora (é sempre bom experimentar) e se são servidos durante toda a festa. O bolo também não pode ser só bonito, tem que ser saboroso. As bebidas que estão inclusas (se possui limite por pessoa), a qualidade das bebidas. Procure visitar o buffet durante o dia, e peça para ver a cozinha e não deixe de entrar nos banheiros.
Ah, tem estacionamento para os convidados? O local é de fácil acesso para os convidados, ele terá facilidade para estacionar o seu veículo?
Verifique os ítens inclusos no orçamento, decoração - mesa de tema e bexigas, lembrancinhas, atrações durante a festa. Verifique quais são os opcionais.
É interessante estar atento ao entretenimento proporcionado às crianças, dos brinquedos às atividades dirigidas. Em geral, os buffets bem equipados têm uma linha para crianças até cinco anos que inclui piscina de bolinhas, casinha de boneca, carrossel eletrônico, pula-pula. E para crianças maiores não faltam fliperamas, video games, mini quadra de futebol.
As atividades dirigidas podem ser variadas, dependendo da preferência de quem contrata o serviço. Mágicos, contadores de histórias, outros profissionais da área e monitores divertidos e interessados fazem parte da trupe. É só procurar. Quando os pais optam por contratar o buffet, é a empresa quem apresenta esses profissionais.
Vale lembrar que para fazer uma festa legal tudo começa no feeling de papais e mamães. Uma boa pesquisa de mercado com certeza ajuda na escolha acertada, tanto em preço como em qualidade. Depois é só aproveitar e curtir a alegria da meninada.
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR.
Brincar é assunto sério. Ou os pais deveriam pensar assim. Um trabalho inédito do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisa do Brincar e Educação Infantil da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, coordenado pela educadora Maria Ângela Barbato Carneiro, aponta que cerca de 70% das crianças da classe A de cinco a sete anos brincam quase todo o tempo sozinhas. É triste, mas a realidade desses meninos e meninas de escolas da elite é a falta da companhia dos pais, dos amigos e até dos vizinhos para a hora da diversão. “Nossa equipe ficou chocada quando uma criança perguntou se televisão era brinquedo”, revela a pesquisadora. Brincadeiras como casinha, pega-pega, esconde-esconde, barra-manteiga, polícia e ladrão durante décadas foram repassadas de geração em geração. Hoje, no entanto, os especialistas afirmam que o lúdico perde espaço para o produto supertecnológico, que é usado de maneira solitária. Isso não deveria acontecer: brincar ajuda na socialização, estimula a criatividade e desperta a inteligência da garotada. E é fundamental que os adultos participem desse processo. Até porque essa é uma maneira de eles conhecerem melhor seus filhos.
Maria Ângela afirma que há várias razões para o fenômeno. No estudo, os especialistas constataram que as crianças têm agenda lotada, preenchida por diversas atividades extracurriculares, como aula de natação, inglês e desenho. Ou seja, sobra pouco tempo para brincar. Outro fator importante é o excesso de consumo. Os pais acreditam que, para suprir as necessidades dos filhos e manter o status da família, precisam trabalhar mais. Desse modo, acabam tendo pouco tempo para as crianças. Essa situação se agrava nas separações quando a mãe é a mantenedora da casa ou o pai se casa de novo e dá pouca atenção ao filho da primeira união. “A relação entre pai e filho é muito importante. Eles deveriam separar ao menos uma hora por dia para as brincadeiras. Mas isso não significa ficar junto assistindo a novela ou lendo jornal. Esse momento deve ser totalmente da criança”, afirma Maria Ângela.
Educadores e psicólogos alertam que as crianças precisam ter tempo livre para rir ou mesmo para o ócio. Três psicólogas americanas, Kathy Hirsh-Pasek, Roberta Golinkoff e Diane Eyer, autoras de Einstein teve tempo para brincar (ed. Guarda-Chuva), a ser lançado no Brasil nos próximos dias, asseguram que as crianças forçadas a receber precocemente a educação formal demonstram menos criatividade e menos entusiasmo pela aprendizagem. “Nos Estados Unidos, crianças entre dois e seis anos estão matriculadas em programas para adiantamento de séries. E no Japão há cada vez mais opções de cursos pré-escolares de cunho acadêmico”, observa Kathy. De acordo com as especialistas, a conseqüência de crianças que não brincam é o stress e a depressão. Elas sustentam que atualmente os pais tentam acelerar o aprendizado de seus filhos acreditando que os pequenos vão ser mais felizes nesta sociedade competitiva e de culto ao sucesso. “Infelizmente, a criação dos filhos, que deveria ser uma das maiores alegrias de nossas vidas, não está nos dando muito prazer”, escreve o trio. Brincadeiras puras e simples, como caça ao tesouro, desenvolvem mais o raciocínio e podem aprimorar a alfabetização, a matemática e outros tipos de conhecimentos.
A boa notícia é que há famílias que dão valor a folguedos e diversões. A engenheira civil Beatriz Ruiz, 37 anos, mãe de Raquel, cinco anos, e Davi, quatro anos, sai de casa de manhã sem ver os pequenos, mas quando chega à noite dedica-se exclusivamente a eles. Existe um horário sagrado para isso: das 19h às 20h. “Eles precisam saber que são prioridade para mim”, explica. Para entrar no mundo mágico das crianças não é preciso um brinquedo sofisticado ou grandes espaços. Beatriz mora em um apartamento. No pouco espaço que a família tem, mãe e filhos se divertem com esconde-esconde, brincadeiras e jogos.
Os educadores garantem que há inúmeras formas de se divertir quando o espaço é restrito. Fazer cabana, teatro de sombras, casinha, jogar bola ou ler um bom livro são alguns exemplos. E lembram que existem brinquedos baratos e simples, como garrafa de plástico, cubos, panelas e colheres ou ainda fantoches e bonecos produzidos pelos próprios pais.
Do ponto de vista dos pais, brincar oferece uma ótima oportunidade para estabelecer um vínculo maior com os filhos. A editora de livros Rose Ziegelmaier, mãe de Luís, dois anos, conta que sente exatamente isso quando está com seu filhote. “Estabeleço um canal afetivo com o Luís. E há outros que surgem. Eles são para o resto da vida”, comenta. A interação entre pais e filhos traz outras vantagens. Durante o pula-pula e o corre-corre com a garotada, os pais podem perceber a personalidade das crianças. Em alguns casos, quando elas ficam bravas e se irritam, dificilmente vão querer compartilhar os brinquedos com outros meninos e meninas. É nesse momento que os pais podem interferir. Mas sem autoritarismo. “Os pais podem ajudar a criança a discutir, a dialogar, a argumentar. O ser humano precisa disso. Quando se joga, por exemplo, as crianças são obrigadas a refletir”, acrescenta Maria Ângela.
Segundo a pesquisa da PUC, muitos pais na faixa dos 25 anos simplesmente não sabem brincar porque não tiveram essa oportunidade na infância. Preocupado com essa temática, o pediatra Roberto Avritchir, fundador da ONG Brinquedo Vivo, apóia oficinas em que artesãos ensinam a fabricar brinquedos e a usá-los com a garotada em várias situações. Além disso, é um bom modo de exercer um dos lados melhores da vida, o lúdico. “O meu sonho é mudar esse mundo maluco por meio dessas atividades. Com isso, a meninada é capaz de ultrapassar todas as barreiras: do preconceito, da individualidade e das classes sociais. A criança que brinca hoje certamente será um adulto melhor”, aposta o médico. E ninguém está de brincadeira quanto a isso.